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De Moby Dick a Wonderbook: a realidade aumentada que os une

Desde que os computadores ganharam importância na vida das pessoas e se tornaram eletrodomésticos comuns ao lar como a televisão e a geladeira, muito passou a se discutir a respeito de sua influência no cotidiano e na forma de raciocinar do ser humano. Os mais radicais garantem que o uso do computador tornou os homens mais preguiçosos mentalmente, influenciando bastante na nossa capacidade de memória, além de alegarem que o bombardeamento de informações tornou o conhecimento superficial.

Por outro lado, os entusiastas da tecnologia dizem que esse movimento é um passo natural da evolução da humanidade e rebatem essas críticas, lembrando que hoje as pessoas têm mais acesso as informações e têm o poder de selecionar seus interesses e profundá-los com mais qualidade e diversidade de fontes. A capacidade mnemônica não foi perdida, apenas possui outro foco.

Essa discussão toda sempre acontece quando nos deparamos com saltos tecnológicos grandes. Foi assim quando o rádio foi inventado, a televisão e o próprio computador. No entanto, ainda temos todos esses veículos existindo e se adaptando às novas necessidades. No entanto, duas dessas mídias são alvos frequentes do fatalismo e muita gente vaticina que irão acabar em breve: o jornal impresso e o livro.

É óbvio que a internet agilizou a comunicação, destruiu fronteiras e proporcionou ao indivíduo uma nova forma de conseguir conhecimento. Muitos jornais impressos no Brasil e no exterior já encontraram um modelo de negócio com conversão de mídia em que um não é excludente do outro, pelo contrário. O mesmo processo está começando a acontecer com os livros. E é neste convergência que encontramos a realidade aumentada!

Como já falamos aqui no blog da eyllo, a realidade aumentada se tornou um recurso muito valioso para essas mídias exatamente por proporcionar uma experiência mais impactante ao leitor, transformando as ideias transmitidas pelas palavras em uma ação visual. Seja numa QR-Code de uma notícia do impresso ou uma imagem trabalhada de uma página de um livro.

Mas, por que tocar neste assunto outra vez? A resposta é simples: hoje é dia do escritor e queremos lembrar que a tecnologia existe para melhorar e amplificar as formas de produção e de criação e não para acabar com elas. Talvez, o livro físico se modifique, mas o trabalho, a criatividade e os pontos de vista do profissional continuarão lá. E a prova disso é que várias editoras pelo mundo não só estão investindo nessas novidades, como o Wonderbook, como também estão enxergando a possibilidade de usar um recurso como a RA para clássicos da literatura e dar a eles uma roupagem mais moderna, aproximando-os dos jovens, como é o caso de ‘Moby Dick’ que será reeditado pela Penguin Books, como já falamos aqui.

Wonderbook/reprodução Sony

Wonderbook/reprodução Sony

Além dos clássicos e dos modernos, esse recurso também já começa a ser aplicado nos livros didáticos e são levados às salas de aula como uma forma complementar de ensino e de estímulo ao interesse do aluno pela matéria. Aqui no Brasil ainda estamos engatinhando no quesito computadores em aula, porém, nos EUA, por exemplo, 91% dos professores já utilizam recursos digitais.

Portanto, essas discussões frequentes talvez estejam embaçando nossa visão para o mais importante. É provável que o mais produtivo não seja ficar debatendo se o livro vai ou não acabar, mas sim como aproveitá-lo de melhor forma, permitindo que a obra aproxime mais e mais o leitor das intenções do escritor. É aí que a tecnologia entra como um elo, e porque não dizer, através da realidade aumentada.

Você acha que os livros vão acabar no futuro? Acredita que a realidade aumentada é o horizonte para modernização deles? Comente!

O antigo e o novo convivem bem na fusão dos livros com a realidade aumentada

Ainda que você não se considere um nerd, ou um entusiasta das inovações tecnológicas, é impossível não aceitar que estamos completamente inseridos e dependentes delas. No trabalho, usamos computadores e ai de nós se tudo apaga no meio da produção de um documento importante! Ou o celular fica sem bateria, ou se, simplesmente, acaba a luz. Pense só em como você fica.

Então, mesmo que o seu consumo de aplicativos e dispositivos não seja algo compulsivo, a tecnologia te cerca, queira você ou não. O mais recente ambiente ‘invadido’, digamos assim, pela técnica da realidade aumenta é o tradicional livro.

Como você já deve ter lido, a Sony lançou no início deste mês, na sua conferência na E3 2012, o Wonder book, que se utiliza da realidade aumentada para contar histórias educativas, com o primeiro livro da série sendo de autoria da escritora britânica J. K. Rowling, a ‘mãe’ do bruxinho Harry Potter.

Wonder book, da Sony/reprodução da matéria veiculada pela Networkworld.

Wonder book, da Sony/reprodução da matéria veiculada pela Networkworld.

Mas, a Sony não é a única a pensar nesta possibilidade de ampliar a experiência da leitura, que para alguns – que puderam manipular o livro – ainda tem que melhorar muito, as próprias empresas do ramo literário já vislumbram este avanço.

A editora Penguin Books, por exemplo, já anunciou que vai dar vida a clássico da literatura, que sejam de domínio público, usando a realidade aumentada. Inicialmente, será feita uma seleção das cem principais obras da língua inglesa. O primeiro livro a ganhar esta ‘vida’ deverá ser ‘Moby Dick’, de Herman Melville. Este, porém, é apenas o primeiro projeto grandioso de uma editora. É muito provável que iniciativas iguais tornem-se cada vez mais comuns com o passar o tempo, alterando completamente a sua relação com a leitura.

Aos poucos, portanto, o tradicional e o novo se fundem, sem que um precise deixar de existir para que o outro apareça. Essa integração é mais um dos charmes e das utilidades da realidade aumentada.

Então, aproveitando que hoje é sexta-feira, pegue um bom livro para ler e imagine como seria se ele já possuísse essa técnica. Aliás, qual livro você gostaria de ler com realidade aumentada? Divida com a eyllo sua escolha.