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Mix realities: Street Art

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A mistura de realidades distintas sempre esteve presente na arte de rua. Eram os grafites de protesto nas lojas de luxo, o teatro interagindo com as pessoas que passavam, ou as intervenções nas praças públicas. Esse conceito começa a ser ampliado. Vemos, por exemplo, a transformação feita pelo alemão Evol de caixas elétricas em pequenos “prédios”; os cenários surreais nas calçadas decoradas por Julian Beever e a migração dos grafiteiros para o mundo digital.

A arte de rua pode ser definida como expressão e manifestação artística desenvolvida no espaço público, distinguindo-se do caráter institucional, empresarial ou vandalismo. Nascida nas ruas de Berlim a arte de Evol pinta pequenos prédios em diversas estruturas funcionais presentes na cidade: latas de lixo, telefones públicos, caixas de fiação.

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O britânico Julian Beever trabalha com a hyper-realidade criando cenários surreais em calçadas de vários lugares do mundo. Em seu site, ele conta que começou enquanto andava pelas ruas de Bruxelas e viu um local onde um jardim havia sido removido. As formas deixadas no lugar o inspiraram a desenhar ali uma piscina. E o desenho funcionou muito bem. Dali veio a ideia de fazer coisas e pessoas aparecerem no meio das calçadas. A ilusão de ótica criada por suas obras dá aos pedestres uma primeira impressão de não reconhecer a linha entre o que é real e o que não é.

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Por fim, temos um novo fenômeno com grupos de grafiteiros migrando suas manifestações para o mundo digital. Katsu, Kidult, Blu, por exemplo, documentam a produção de suas obras e os vídeos serão o único traço restante do que eles fizeram.

O grupo francês Kidult já pichou sua marca em portas de lojas de luxo como  Louis Vuitton, Agnes B e Marc Jobs, registrando todos os passos que deram na execução do trabalho. Depois que as portas e paredes dessas lojas são limpas, o único documento do que fizeram estão nos vídeos capturados que vão para a internet, ao invés de serem exibidos nas galerias.

Outras ideias dos grafiteiros no mundo digital está nos vídeos produzidos pelo grupo Katsu, que coloca seus grafites sobre quadros de pintores famosos, como Pablo Picasso. Ou no italiano Blu, que ficou famoso com a divulgação de um vídeo acelerado mostrando o artista criando uma obra do começo ao fim.

Essa nova fase do grafite é definida pelo designer Insa, em entrevista para o site thecreatorproject.com como um retorno no tempo: “O grafite já foi uma forma de arte muito livre que qualquer um podia desfrutar, mas tem sido cada vez mais mercantilizada, embalada e vendida aos mais altos valores. Eu gosto do fato de que meus GIFs não podem ser vendido, comprados ou pendurados na parede de uma galeria. Quando um GIF é subido na internet, ele está livre para viajar e ser visto por muitas pessoas”.

E em sua cidade? Quais são as realidades que estão mixadas e quais os artistas que mais se destacam? Conte com a gente para divulgar estas iniciativas.